quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Um Futuro americano

Vamos orar, vamos lançar aos mais longínquos céus, as mais profundas memórias. Para onde vai o nosso futuro? Qual a nossa idéia de mundo agora? O que teremos que pagar? Os destinos não podem estar selados. O homem nunca viveu um período tão fértil de idéias, nunca teve um conteúdo tão rico, e talvez, nunca vivemos de forma tão fanática. Sempre me disseram que as palavras são as coisas mais poderosas da terra. As palavras decidem quem vive e quem morre... Então as idéias alienantes circundam soltas. E não sabemos de onde vem o primeiro golpe. Os olhos devem se manter abertos.
Tudo que queremos é viver nossas vidas e escapar da crise. Mas a que preço? Os Estados Unidos da América acabam de eleger um novo presidente. Um que nos chega cheio de esperança. Que nos aponta tempos difíceis. Que reconhece que há agora um futuro único, que as pessoas do mundo estão unidas em prol do grande bem em comum. Será mesmo? Em tempos de crise, como ficarão as já abaladas relações americanas com o mundo? Será que ele poderá ser tão diferente do seu antecessor? Penso que não. Infelizmente. Aqui, o meu pessimismo mascarado de realismo dá suas cartadas. As políticas anti-imigrantes não podem ser afrouxadas em tempo de crise; então quem espera viver no American Dream pode esquecer. Os famosos insumos agrícolas tão criticados e atacados deverão continuar, já que são bases para a economia do tio Sam. Não vejo mudanças por parte da política que possam ser revolucionárias. Mas então, não haveria nada de bom em tudo isso? A meu ver sim. As mudanças não devem ser esperadas dos nossos governantes, elas devem ser esperadas de nós.
Ao acompanhar a incrível e admirável saga do primeiro negro a se tornar presidente, pude ver uma onda de comoção sem precedentes nas pessoas. Se espalhou na rede, nos jornais. As pessoas do mundo todo se emocionaram, choraram juntas e reafirmaram votos de paz e de abertura de diálogo que a muito se encontrava desgastada. Observei com grande interesse uma declaração em especial. O representante do Hamas em Israel afirmou um desejo de interesse em reabrir antigos debates em função da paz. Isto me comoveu. Atitudes como esta e as semelhantes de presidentes anti-americanos do mundo todo me chamaram atenção a um fato importante. O sentimento que os americanos nutriam a certo tempo de isolamento de um mundo que não gostava dele parece ter afrouxado também. As pessoas querem paz, querem viver e ser felizes. Querem poder se sentir parte de um mundo só, de um só movimento rumo à felicidade. Mas o recado tem que ser entendido por todos. O poder não é deles, o poder é nosso; e tem que ser reconhecido como tal. Devemos estar na era do otimismo sim, esta crise econômica atual nos roubou mais do fraco sentimento de esperança que tínhamos e precisamos mais do que nunca dela. Chegou a hora de tomarmos a dianteira, de cobrarmos de quem elegemos, de pensarmos e participarmos das decisões juntos com ele. Precisamos disso para que possamos entrar mesmo nestas épocas, pra que possamos realmente viabilizá-la.

Opinador de plantão...

Um comentário:

João Lins disse...

Interessante ver você opinar por aqui... Apesar de teu pessimismo, noto um otimismo implícito. Se entender como algo de interesse, visite meu blog por este link:
"http://lerliberdade.blogspot.com/2008/11/inrcia.html". É uma opinião tbm...